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ausência

 

O dia foi ontem
quando um vulcão de mágoas
abriu suas pálpebras

e sobre o outono das atitudes
adiantou-se o verão das águas

e todos
os bravos
pelo brilho
da sua dor
particular


cegos
não perceberam
o dia passar

bem devagar



Escrito por Erly Welton às 16h13
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Tábua dos âmbitos

 

O olho da noite
mira o dia

a lingua do rio
lambe o mar

e o nervo do céu
choveu

por isso périplos
tantos

dos cosmos
e dos oceanos

para as velas
do que somos

você e eu

 



Escrito por Erly Welton às 15h22
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DEFININDO A MAGIA

 (Charles Bukowski traduzido por Rodrigo Garcia Lopes)




um bom poema é como uma cerveja gelada
quando você está mais a fim,
um bom poema é um sanduíche de presunto, quando você está
faminto,
um bom poema é uma arma quando
os bandidos te cercam,
um bom poema é algo que
te permite andar pelas ruas
da morte,
um bom poema pode fazer a morte
derreter feito manteiga,
um bom poema pode enquadrar a agonia e
pendurá-la na parede,
um bom poema pode fazer seu pé tocar
a China,
um bom poema pode fazer você cumprimentar
Mozart,
um bom poema permite você competir
com o diabo
e ganhar,
um bom poema pode quase tudo,
isso sem dizer que
um bom poema sabe quando
parar.




CHARLES BUKOWSKI
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
do blog Estúdio Realidade




Escrito por Erly Welton às 09h51
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 quase apocalíptico
(publicado no BaNco de PoEsia - revista eletrônica de literatura do meu amigo Cleto de Assis, que está completando dois anos de atividade)

Poema feito e refeito

Erly Welton Ricci


Será necessária a queda do sol
Marte explodindo sobre new york
Chuva de pedras da lua

Serão necessários mares fervendo
O gelo dos árticos encobrindo céus
Esfoliação da pele dos ritos

Será necessário o sangue nas gruas
A merda espalhada nos condomínios
A praga de mil bestas rugindo

Será necessário plastificar o dia
A unanimidade do grito no escuro
Queimar as florestas nos meses pares

Serão necessárias moendas de carne
Gases venenosos na superfície
Baixar a cognição ao zero

Será necessária a acidez dos planos
Satanizar deuses e gênios
Tornar cinza todo amarelo

Será necessário uivar novamente
Estriquinina jogada na fonte
Sacrificar todo ente in vitro

Será necessário copiar os ossos
Desfragmentar portas e janelas
Ferir a noite permanentemente

Será necessária a massa dos muros
O inferno que faz suar muitos sonhos
Acumular dejetos na mesa

Será necessário inventar tantos mitos
Comer a alma atirada na lida
A filosofia do ouro e do sal

Serão necessários caminhos tortos
Pedra na fronte e no sapato
Transpor palavras com subescrituras

Serão necessárias as dores alheias
Ouvir o ruído da fome e da sede
Incendiar cidades e aldeias

Serão necessários alguns anos ainda
Engravidar a mulher do próximo
O sangue vulcânico nas veias

Será necessário um punhal no pescoço
Mais de três bailarinas nuas
Fumar raiz de jurema

Será necessário risível piedade
muito gás carbônico na veia
auras cheias de escamas

Será necessário cancelar as lendas
a mente enredada na teia
para criar novo plano

________

Ilustração: C. de A.


Escrito por Erly Welton às 09h57
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ELE ESTÁ SABENDO

 

Isabela Bortolotto, filha do Mário, está em contato direto com o pai.

Ela contou que ontem avisou o Marião que os amigos vão fazer o tradicional

show da Saco de Ratos nesta quinta-feira, no Café Aurora.

Ele balançou a cabeça em sinal afirmativo. Contou também que a peça Brutal

vai ser apresentada na sexta-feira. Ele balançou a cabeça em sinal afirmativo novamente.

Marião está consciente e respondendo aos estímulos.

Só não pode falar ainda porque está com o tubo de respiração artificial,

que pode ser retirado nas próximas horas.

 

Fábio Brum avisou que o show vai rolar no mesmo horário e local: 22h30,

café Aurora (rua 13 de maio, 112). Entrada: R$ 5.


 


E na sexta-feira, antes da peça Brutal, alguns artistas amigos do Mário vão fazer uma exposição. Lourenço Mutarelli, Angeli e Grampá já confirmaram que vão doar desenhos.

A renda do show, da exposição (as obras serão vendidas)

e da peça vai para a família custear as despesas.

 

Marião está bem instalado, sendo muito bem cuidado. Mas sempre há despesas.

 

Foi aberta uma conta em nome da Cris, mãe da Isabela. Quem puder contribuir, eis o número:

 

Cristiane do Carmo Viana

Banco Unibanco

Agência: 0935

Conta poupança: 127721-6

 

Quem puder doar sangue também, para repor o que foi usado pelo Mário,

o hemocentro da Santa Casa fica na Rua Dr. Cesáreo Motta Jr, 112. Tel. 2176-7000.



Escrito por Erly Welton às 09h12
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Este foi o último texto de Mário postado dia 04/12

Mesmo dia em que levou quatro tiros quando tentava defender a atriz Guta Ruiz que tinha levado uma coronhada, durante um assalto no bar do Parlapatões, na Praça Rooselvet, em São Paulo. 

Meu velho amigo dramaturgo, poeta, ator e diretor passou por duas cirurgias para a retirada das quatro balas, perdeu metade do sangue, mas está estável. Todos os seus amigos e conhecidos esperam que ele se recupere e realmente volte pra tomar alguns goles do melhor bourbon conosco.

Ontem a noite, vários artistas, produtores e agentes culturais fizeram uma manifestação contra a violência no mesmo local em que Mário foi covardemente baleado.


04/12/2009

A DIFICULDADE DE IR ATÉ A ESQUINA E ESSE GOSTO DE PASSPORT PRO INFERNO

A DIFICULDADE DE IR ATÉ A ESQUINA E ESSE GOSTO DE PASSPORT PRO INFERNO

Entendam que é difícil pra mim. O telefone toca, mas eu não quero levantar. Deixei "Stranded" do Van Morrison no repeat. Tem uma igreja medieval em cima da minha barriga e algumas orações que aprendi com meus avós na minha cabeça, mas parece que elas não me valem nada. Ainda sinto o gosto do Passport pro inferno. Preciso parar de ir pro Estrela da Roosevelt (o último refúgio que nem sempre nos recebe muito bem). Vou jantar com o Lobo e com a Mariana. Bons presságios. Acho que vou ganhar um Jameson hoje. Um Green Label na minha casa e eu bebendo Passport pro inferno. Eu voltei pro bar hoje. Eu sempre volto pro bar. Os amigos não acreditam quando me vêem entrando pela porta, de novo. Noite boa a de ontem. Grande show. Divertido pra caralho. Emocionante quando tinha que ser e divertido na hora certa. Os amigos se divertindo na platéia. E eu voltei pro bar. Quando ninguém mais acreditava que eu pudesse voltar. Eu tinha tudo pra não voltar, né? Mas eu sempre volto. Hoje recebo mensagens de outros amigos. Mas não quero levantar. Já ouviram "This love of mine" do Van Morrison?

 



Escrito por Erly Welton às 09h57
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Ouvidos de orvalho

Na eternidade, ninguém se julga eterno.
Aqui, nesta estada, penso que vou durar
além dos meus anos, que terei 
outra chance de reaver o que não fiz. 
Se perdoar é esquecer, me espera o pior:
serei esquecido quando redimido.

Não me perdoes, Deus. Não me esqueças.
O esquecimento jamais devolve seus reféns. 

A claridade não se repete. A vida estala uma única vez.

O fogo é uma noz que não se quebra com as mãos.
A voz vem do fogo, que somente cresce se arremessado. 
Não há como recuar depois de arder alto. 
Fui lançado cedo demais às cinzas.

Somos reacionários no trajeto de volta.
Quando estava indo ao teu encontro, 
arrisquei atalhos e travessas desconhecidas. 
Acreditei que poderia sair pela entrada.
Ao retornar, não improviso. 

Minha conversão é pelo medo, 
orando de joelhos diante do revólver,
sem volver aos lados,
na dúvida se é de brinquedo ou de verdade.

O vento faz curva. Não mexo nos bolsos, 
na pasta e na consciência,
nenhum gesto brusco de guitarra, 
a ciência de uma mira
e o gatilho rodando próximo
do tambor dos dentes. 

Derramado em Deus, junto meu desperdício. 

Vou te extraviando no ato de nomear.
Melhor seria recuar no silêncio. 

Cantamos em coro como animais da escureza.
Os cílios não germinaram. 
Falta plantio em nossas bocas, vegetação nas unhas,
estampas e ervas no peito. 
Suplicamos graves e agudos, espasmos e espanto,
compondo esquina com a noite. 

Cantar não é desabafo,
mas puxar os sinos 
além do nosso peso,
acordando a cúpula de pombas. 

Somos fumaça e cera,
limo e telha,
névoa e leme.
O inverno nos inventou.

Não importa se te escuto 
ou se explodes meus ouvidos de orvalho: 
morre aquilo que não posso conversar? 

Ficarei isolado e reduzido, 
uma fotografia esvaziada de datas. 
Os familiares tentarão decifrar quem fui 
e o que prosperou do legado.
Haverei de ser um estranho no retrato
de olhos vivos em papel velho. 

Escrevo para ser reescrito. 
Ando no armazém da neblina, tenso, 
sob ameaça do sol. 
Masco folhas, provando o ar, a terra lavada.
Depois de morto, tudo pode ser lido. 

Vejo degraus até no vôo. 
Tua violência é a suavidade.
Não há queda mais funda
do que não ser o escolhido, 
amargar o fim da fila, 
ser o que fica para depois,
o que enumera os amigos 
pelos obituários de jornal, 
o que enterra e se retrai no desterro, 
esfacela a rosa ao toque
na palidez das pétalas e velas, 
vistoriando cada ruga 
e infiltração de heras entre as veias, 
nunca adulto para compreender.

Não há nada de natural na morte natural.
Divorciar-se do corpo, tremer ao segurar
as pernas, acomodar-se no finito
de uma cama e deitar com o tumulto 
que vem de um túmulo vazio.

Fabrício Carpi Nejar - Poema do livro Biografia de uma árvore

http://www.carpinejar.com.br



Escrito por Erly Welton às 10h33
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A poesia antes...

.... da Era da Mediocridade

DA ESPELUNCA de Ademir Assunção - http://zonabranca.blog.uol.com.br/

Com o título O PIJAMA ESTÁ SECANDO NO VARAL

Capas da revista Bric a Brac, publicada em Brasília, no final dos anos 80, começo dos 90. Bric a Brac era uma revista de poesia! (um pouco antes de entrarmos na Era da Mediocridade). A revista era editada por Luis Turiba, Lucia Miranda Leão, João dos Reis Borges e Luis Eduardo Resende (Resa) – autor das duas capas acima.



Escrito por Erly Welton às 17h21
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No Boteco do Tulípio está rolando a Semana Anti-Fumo. Muito bom. Passa lá.



Escrito por Erly Welton às 16h56
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UIVOS E APLAUSOS À RESISTÊNCIA

TRIBUNA CULTURAL

por Zema Ribeiro*



UIVOS E APLAUSOS À RESISTÊNCIA

 


Revista de literatura e arte, Coyote alcança 19ª. edição, nadando contra a corrente, remando contra a maré. Que editores e colaboradores consigam ir ainda mais longe, amém!


Thomaz Albornoz Neves entrevistou, em 1993, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no apartamento carioca do autor de Morte e vida Severina. Apenas uma pequena parte da conversa entre os dois foi publicada na revista Interpoesia, em 1998. O resto permanecia inédito. O 19º. número da Revista Coyote [Kan Editora, distribuição nacional: Iluminuras, 52 páginas, R$ 10,00, pedidos pelo http://www.sebodobac.com.br; alô, livrarias e sebos de São Luís: ninguém se interessa?] traz a íntegra da entrevista com o “cabra lírico”. E este é apenas um dos destaques da revista de literatura e arte que, só por conseguir resistir e chegar a esta 19ª. edição, já merece nossos uivos, digo, aplausos (que tal uivarmos batendo palmas?), pela resistência, insistência, perseverança e, mesmo, teimosia de seus editores.

Ademir Assunção (SP), Marcos Losnak (PR) e Rodrigo Garcia Lopes (PR), inventam e reinventam a publicação sediada em Londrina (PR) e que resiste bravamente, até aqui – e esperamos que por muito tempo ainda –, graças ao apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina. Engana-se quem pensa que, com isso, a revista se fecha no próprio umbigo e traz apenas poetas da terra de Leminski. Muito ao contrário: é na Coyote que conheço novas vozes nos campos a que se dedica a publicação (literatura e arte, convém lembrar) e (re-)leio vozes, não direi velhas – há coisas que simplesmente não envelhecem –, mas fundamentais.

Com um belíssimo projeto gráfico, a revista transpira qualidade da primeira à quarta capa: tudo ali é arte. A “matilha” da 19, além de João Cabral e seu entrevistador Thomaz Albornoz Neves, e do editor (da revista) Ademir Assunção – que brinda o público leitor com poemas inéditos –, apresenta nomes como George Oppen (poeta ianque do Grupo Objetivista, formado nos anos 30, falecido em 1984), Teo Adorno (quadrinista e ilustrador paulista) e Ernesto Sabato (doutor em física nuclear, um dos maiores nomes da literatura argentina, nascido em 1911), entre outros, além da tradicional quarta capa, ilustrada pelo Beto, já reconhecida como a capa dos “movimentos”.

TRECHOS DA COYOTE 19

“Tenho a impressão que, por um lado, sou muito mais visual que plástico, por outro não sou nada auditivo. Estou com Voltaire, a música é o menos desagradável dos barulhos. Eu não tenho o menor interesse por música. (...). Minha poesia é toda visual: ela se afasta da linguagem abstrata. A linguagem que me interessa é a linguagem concreta. Meu esforço é justamente, usando o título do livro de Paul Éluard, Donner a Voir [Dar a ver]”.

João Cabral de Melo Neto, em entrevista a Thomaz Albornoz Neves, em 1993

*

“luzes esverdeadas na tela/ da TV, pipocas de microondas,/ pipocos digitais, sim,/ olha lá, olha lá, santelmo/ riscado do mapa,/ cochabamba para bailar la bamba,/ titicaca não passa de titica,/ brasília era só uma ilha, cercada/ de cucarachas e carcamanos,/ quem vai sentir falta/ dessas baratas?, soca mais bombas/ na bunda dessa indiarada, pow,/ crash, soc, e que se fodam/ todos los hermanos, cambada/ de terroristas islâmicos,/ papai me disse que eles comem/ gente, vai vendo, e ainda usam as tíbias/ como palitos de dente”

Ademir Assunção, Videogame, da seleta de inéditos Boa noite, Mister Mistério



Escrito por Erly Welton às 11h42
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COYOTE 19 UIVANDO COM GOSTO



Saiu a nova Coyote, revista que edito com Marcos Losnak e Ademir Assunção. Já são 7 anos editando a bagaça. Este número tá imperdível. Por que?

1) Por trazer uma entrevista inédita de
João Cabral de Melo Neto

2) Por um conto do norte-americano
Donald Barthelme,

3) Por trazer traduções da poeta espanhola radicada no Paraguai,
Montserrat Alvarez

4) Poela história em quadrinhos de
Teo Adorno, com roteiro de Luiz Bras



“Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia. (...) Tinha a impressão que havia chegado a um extremo tal de intelectualismo, por assim dizer, com a ‘Psicologia da Composição’, que não tinha mais sentido seguir naquele caminho." A revelação surpreendente de João Cabral de Melo Neto dá o tom da entrevista feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albornoz Neves, no outono de 1993 – um dos destaques da nova edição da revista Coyote.

Em seus sete anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE 19 // 52 páginas // R$ 10,00
Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161 (site: www.iluminuras.com.br). Pode ser adquirida também na internet pelo Sebo o Bac:
www.sebodobac.com

Contatos: losnak@onda.com.br / rgarcialopes@gmail.com / zonabranca@uol.com.br
Fone: (43) 3334-3299 / (11) 3731-3281

PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE LONDRINA (PR)



Escrito por Erly Welton às 18h09
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Poemas da Revista Piauí para o Flip

A BELA E A FERA I
Eucanaã Ferraz

Em cruzar
a sala zumbindo
sua navalha o besouro-ébano espanta

o piano que se ergue atrapalhado,
plantado na ponta das
patas

sem poder,
do chão, tocar o ouro
absoluto da negra couraça que inseta

o ar ali com sua canção. E o pobre
Steinway supõe ser
a nave

um
sinal, um
seu semelhante, um filho talvez.
____________________________________

A BELA E A FERA II
Eucanaã Ferraz

Em cruzar a sala zumbindo o ouro negro
de sua couraça
o besouro

absoluto
ébano espanta
o piano que, plantado no chão, ergue-se

atrapalhado na ponta das patas sem poder
tocar a nave que
navalha

o ar
com sua canção-verniz. E
o pobre Steinway supõe ser o inseto

ali um sinal, um seu semelhante,
talvez um
filho.
___________________________________

NA GÁVEA
Luís Miguel Nava

Ocorre-me de vez em quando a idéia de que o
homem que nos barcos sobe à gávea o faz na
realidade apenas para perscrutar a sua própria
pele, obter dela uma outra perspectiva, funcionando
o mar como uma representação muito
aumentada, qualquer coisa como uma metáfora
ou uma lente. É pelo menos desse homem
que eu me lembro sempre que sobre a minha
pele, inquieto, me debruço, a avaliar os mais
leves prenúncios de intempéries.

___________________________________

PEDRA
Zbigniew Herbert

A pedra
é uma criatura perfeita

igual a si mesma
percebe seus limites

é perfeitamente preenchida
por seu sentido de pedra

seu cheiro não lembra nada
não assusta não excita

seu ardor e frieza
são justos e dignos

sinto um grande remorso
quando a pego na mão
e seu corpo nobre
é envolvido pelo meu falso calor

- Pedras não podem ser domadas
até o fim nos olharão
com olhos calmos e transparentes

Tradução_Sylvio Fraga Neto e Danuta Nóbrega

___________________________________

OBJETOS
Zbigniew Herbert

Os objetos inanimados são sempre corretos e,
infelizmente, não se pode censurá-los por nada.
Jamais vi uma cadeira deslocar o peso de um
pé para outro, nem uma cama empinar-se sobre
as patas traseiras. E as mesas, mesmo quando
cansadas, não ousam dobrar os joelhos. Desconfi o
que os objetos ajam assim com intenção
pedagógica, a fi m de nos reprovar constantemente
por nossa instabilidade.

Tradução_Paulo Henriques Britto



Escrito por Erly Welton às 14h26
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 Oficina de Textos

Poemas

      
SENTINELA
       
Eu queria ser uma sentinela,
Fumando e esperando.
Vigiando e fumando.
Quem vigia não pensa, fuma,
Quem pensa não vigia, deserta.
Eu fumaria e vigiaria a noite inteira,
Esperando, esperando, até eles não chegarem.
Fumando como uma sentinela.
       
THE ART OF SHAVING
        
Quando eu era um rapazola,
Barbeava-me apressado, displicente,
Mal sabia eu que, dentre os petrechos para tanto,
Havia o pincel com pêlos de texugo. 
        
Hoje, os vapores me abrem os poros da pele,
A lâmina é sempre afiada, constantemente substituída,
O barbear é lento, calmo, porém rigoroso e ritmado,
E há sempre cosméticos que esfoliam, suavizam, acalmam.
       
Se tens tu uma bela barba, cultive-a.
Mas se fores rapar a cara, faça-o com tempo.
O barbear sempre diferencia o Aristocrata do Pelintra. 
      
Eu nunca vi um texugo, mas sei que eles existem,
E que dão os melhores pincéis, pois, há coisas de sabença mais antiga.
Que não são aprendidas, somente sabidas e consabidas. 
      
EUGÊNIA 
        
A primeira vez que vi Eugênia me apaixonei.
A segunda vez que vi Eugênia nos casamos.
A terceira vez que vi Eugênia ela se tornou mãe dos meus filhos.
A quarta vez que vi Eugênia pedi desculpas, e ela aceitou.
A quinta vez que vi Eugênia ela estava morta, coberta por um véu diáfano.
E olhe que nem tivemos tempo para uma conversa sincera.
       
   
Rogério Gaspari Coelho, São Paulo - SP

 



Escrito por Erly Welton às 14h18
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KOSMOS


A página começa a ler você,

ser aquilo que você sonhava ser:

Pacto contra o nada,

jardim veloz de acantos, planetários,

Vulcões de asbestos, voragens de pó e lacunas de relva.

No rebatimento da luz, azul se espalha,

E lenta vem a noite, espelho negro espesso

revelando furos na lona do circo eterno

pontos em negativo na tela branca

os olhos do tigre de Blake.


Rodrigo Garcia Lopes (foto), de quem já publiquei neste espaço vários poemas e traduções, nasceu em Londrina (Paraná, Brasil), a 2 de outubro de 1965. Formado em Jornalismo, em 1984-85 viajou pela Europa e, na volta, publicou a página literária "Leitura" e as revistas "Hã". Trabalhou em jornais e veículos literários em São Paulo ("Ilustrada") e Curitiba ("Nicolau"). De 1990 a 1992 viveu nos Estados Unidos, onde realizou mestrado na Arizona State University com tese sobre os romances de William S. Burroughs. Neste período, também reuniu material para seu livro de 19 entrevistas com escritores e artistas (como John Ashbery, William Burroughs, Marjorie Perloff, Allen Ginsberg, Nam June Paik, Charles Bernstein and John Cage). O livro, "Vozes & Visões: Panorama da Arte e Cultura Norte-Americanas Hoje" foi publicado pela Iluminuras em 1996. Em seu retorno, lançou "Solarium", que reúne sua produção poética desde 1984. Em 1996 publicou a tradução das "Illuminations" de Rimbaud (também pela editora Iluminuras). No ano passado lançou seu segundo livro de poemas, "visibilia" (Rio de Janeiro: Sette Letras). Ao longo destes anos traduziu, entre outros, a poesia de Ezra Pound, Sylvia Plath, William Carlos Williams, Robert Creeley, Gertrude Stein, Laura Riding, Gary Snyder, Charles Bukowski, John Ashbery, Jim Morrison, e Samuel Beckett. Em 1998 foi curador da exposição "Olhares", do fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara, que participou da Bienal Internacional de Fotografia, em Curitiba. Atualmente prepara tese de doutorado sobre a poesia de Laura (Riding) Jackson e realiza performances de poesia & música pelo Brasil. Vive na ilha de Florianópolis, onde prepara novo livro de poemas.




Escrito por Erly Welton às 17h46
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26 AFORISMAS SOBRE POESIA (de rodrigo garcia lopes)

1.

Permanece um mistério o fato de que vivemos em estado permanente de linguagem. A poesia é o instrumento ideal para captar este mistério.

2.

Mu Ga não é parar o pensamento: é perceber o pensamento.

3.

Cada vez mais a persistência da idéia de poesia radical entendida em seu sentido etimológico, do latim radix, raiz, base, fundamento. Uma poesia que investiga sua própria ocorrência, ramificações, vis-à-vis seu encontro com o mundo, indo na raiz do problema: para o poema, esta raiz é a palavra.

4.

A abstração é a natureza da mente, não a mente um reflexo da consciência.

5.

O desafio está em não cair numa metalinguagem barata. Ou solipsismo ("não há nada fora de minha mente"). Ao contrário, o poema é um encontro em nosso território comum, nosso habitat.

6.

Poeta é quem que provoca música com os vocábulos. E afasta a afasia. Certa aversão pela idéia difundida pelo senso-comum da vida (e da poesia) como algo contínuo. Poemas são seres vacilantes, como animais, ORGANISMOS, e parecem estar o tempo todo querendo incorporar o caráter fragmentário e material da experiência. Por isso, parecem muitas vezes "incompletos".

7.

Se "poesia é a promessa de uma linguagem" (Hölderlin), então o poema é um não-lugar, uma utopia. Seu sentido é seu movimento.

8.

O poema é um ultraje (outrage), um contra-texto.

9.

De olhos fechados: o universo é vermelho.

10.

Você diz

que não há nada de novo

sob o sol.

Isso pode valer para o sol,

mas não para nós.

(apud Apollinaire)



11.

Um "eu" que é um olho, o olho que é um outro, o outro que é um. A consciência da consciência. Um teste de solitude.

12.

Poder pensar, como Paul Cézanne, que as palavras é que se pensam através de mim.

13.

A natureza nos desconstrói sem que notemos, e a noite restaura a memória das percepções que usaremos, no dia seguinte, para reconstruir a natureza e a nós mesmos.

14.

Nos fala, nos media, nos habita. Sempre a caminho. Não há como escapar. Nelas estamos em nossa única casa, ou fora, ou estamos a sós.

15.

Todas as abordagens poéticas (seja através de iluminuras, personas, objetivos correlativos, colagem, simultaneismo, pastiche, ostranenie, ideograma, non-sequitur) desembocam, por operações distintas, na grande questão: o espaço habitado pela poesia enquanto matéria mental, entre palavra e mundo. Entre estar mudo e ser mundo.

16.

O nome do ventríloco era Eulírico. ("Já meu nome é eutro: o intervalo entre palavra e mundo").

17.

O poema nasce enquanto o procuramos.

18.

Como numa história de detetive, o poema, hoje, é um enigma. Seu crime começa já nas primeiras palavras. O poema nada mais é que uma seção de correlatos do sentido suspensos entre pistas falsas, fragmentos de perfis, frustrações de expectativas, que apontam inequivocamente para sua própria aparição & desaparição. O nome dessa luta invisível é o sentido.

Whodunit?

19.

Raízes rebentam o ventre da terra: pensamento selvagem.

20.

A prosa parece se traduzir em ser vidro transparente, enquanto a poesia revela manchas de mão no vidro, trincas, poeira, as imperfeições da superfície.

21.

Talvez poemas devessem ser mais que simplesmente escrita sobre experiências, e sim escrita como experiências.

22.

Produto e processo, num poema, têm que ser pensados juntos. O que e como são siameses. Esmero excessivo desvirtua o palácio da sabedoria.

23.

O desafio tem sido esse: investigar como se dá o processo de transferência do mundo "real" ao mundo "poético". Me interessa este momento único que se dá na percepção: no choque do "dentro" com o "fora" (Como aquilo virou isto?). E o poema seria exatamente a tradução simultânea desta percepção em palavra, energia, usina, poesia. E o poema surge como o resultado desse atrito entre consciência e mundo, fruto dessa tensão e, antes que me esqueça, desse prazer.

24.

O momento em que o poema se fecha é o momento em que ele se abre para o leitor.

25.

A idéia tradicional de prosa, para mim, é que o texto parece nos colar numa temporalidade, um estado absortivo, com as palavras quase parecendo passar transparentemente da página para a mente, ("uma câmera filmando tudo isso", sem erros de continuidade), enquanto a poesia atua com mais freqüência em saltos, cortes, surpresas, desconstruções sintáticas, frustração de expectativas, associações, conexões, desconexões.

26.

Vai ver a poesia seja uma necessidade estética da consciência.

(Apud Macedonio Fernandez)




Escrito por Erly Welton às 15h38
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Short Trip

minha cidade
cai pela janela
como um cisco

meu olho
caleidoscópio
é o coração que acolhe
fragmento por fragmento
até que toda cidade
e sua história
caiba dentro
 
nessa rua, por exemplo,
já passei há muito tempo
mas não tinha esse olhar
indo embora
 
para o futuro,
a memória desse momento
que passou agora
será a lembrança de outro
e ainda outro mais antigo
 
caio como um cisco
na cidade
somos, as duas,
uma rápida paisagem.
             
                          De passagem.


Alice Ruiz

 


Publicado no blog Alice Ruiz S

 



Escrito por Erly Welton às 15h28
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Ternurinha

chuva de verão
espremida entre os bambus
minha aldeia

 
Issa Kobayashi
 
samidare no
take ni hasamaru
zaisho kana
 
my native village
squeezed in among the bamboos,
in the summer rain


(RH Blyth tradução)


E aqui termina minha pequena série de traduções/recriações para apresentar Issa. Já pensei em traduzi-lo todo e tenho várias outras tentativas. Mas, tentativas que são, ainda não podem ser apresentadas. Gosto de seu jeito de dizer a verdade nua e crua, de uma forma clara, humorada e, às vezes, um pouco grosseira. Sua poesia fluia com a liberdade do pensamento, sobre todos os temas, inclusive o sexo, tema tabu para a maioria dos haijins. Assim que resolver alguns desses, terá mais Issa nessas páginas.
Alice Ruiz

do seu recém inaugurado blog Alice Ruiz S




Escrito por Erly Welton às 15h14
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haicais em cinco estações

 

1.

primavera só
enquanto cor o dia
arco-íris tem flor


2.

minha calma vai
folha que voa livre
no azul céu outonal

3.

o tempo é sol
presente em só quatro
estações sentimentais

4.

cobre o mundo
branco sobre o prado
neve de cristal


5.

beija-flor bebe
doce orvalho branco
fina flor de luz



Escrito por Erly Welton às 14h59
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spirituals do orvalho


Neuza Pinheiro, poeta, cantora e compositora (já atuou com Arrigo Barnabé (veja vídeo) e gravou um dos mais belos discos da boa música) está finalmente publicando seus poemas, idéias e escritos num blog. O poema abaixo foi tirado de lá, mas só para fazer propaganda.

FORA DE ESTAÇÃO

Lateja
dormente em mim
uma centelha
semente
uma árvore lateja
dormente
somente
em mim


(n. pinhero)


-.-.-.-.-.-.-
(pintura: Pejot's)


Veja aqui


Neuza Pinheiro c/ Arrigo Barnabé no Festival Universitário de MPB - ECA/USP - em 1979



Escrito por Erly Welton às 10h21
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Codex Seraphinianus...

Luigi Serafini

 


 

e o Codex Riccius

 

Erly Welton Ricci

 


 



Escrito por Erly Welton às 16h49
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Pedra dos mitos

 

A hora mais pesada é aquela

Que ainda vem

Enquanto eu

Sísifo

Heráldico

Da pedra e da montanha

Sopro letras de sabão


 

A hora mais pesada será ainda

Mais adiante

Porquanto eu

diógenes

estóico

sem lupa e sem livro

a lâmpada apagada


 

A hora mais pesada é a que está por vir

Antes que eu

Verdugo

Wakizashi

No ventre e na garganta

Corte a última palavra



Escrito por Erly Welton às 08h37
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O mundo está fraco de poesia - eu sei

 

1

nesses tempos de fim das civilizações

poesia é só a tez do céu rasgado

como uma fazenda sem detalhes

um mar de águas rígidas na tarde úmida

o cal de muros separando ruas

e relógios digitais

exceto véu e máscara

dos detalhes cognitivos

o mundo está fraco de poesia - eu sei

 

2

cada palavra é um propósito

de todas as pontes

paisagens de todas as terras

velas de todos os navios

pirâmides sem nada dentro

ruídos dos muros nos quintais

naus que podem não voltar

 

3

bem onde a besta ruge

há horizontes de mortos-vivos

sob o inclemente sol fisiológico

erros de dados nas janelas

pestanejam nas salas abandonadas

erma sombra das palavras

sem lapso de memória

e sem lei

corpo etéreo o mito vaza

dos sonhos

para a quadra da vâ metáfora




Escrito por Erly Welton às 17h54
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Pensamento

extraído do blog Estúdio Realidade, do poeta e tradutor Rodrigo Garcia Lopes


"A poesia é apenas a evidência da vida.
Se sua vida está queimando bem,
a poesia é só a cinza".

"Poetry is just the evidence of life.
If your life is burning well, poetry is just the ash."
LEONARD COHEN

 


 



Escrito por Erly Welton às 17h34
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catacredos


não tenho

ser
nem honra


nem fé nem lei


a faca do crime
não sei


nenhuma idéia
ou meia na mala


e enquanto tarda
azia das horas


a dor que sinto
não estala


a morte que vivo
em boa hora


escravo cardíaco
réu do desejo


para o decurso
das coisas tolas


não há nada além
do que vejo


feixe de nervos
nau sem mar

sem
proa

sou muitas
mentiras

uma só
pessoa





Escrito por Erly Welton às 17h21
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TERÇA-FEIRA - TEMPO INSTÁVEL NO SESC VILA MARIANA

Meu amigo Mário Bortolotto me enviou convite por e-mail e estou estendendo aos meus leitores. Vão lá, vai ser um evento imperdível pra quem gosta do bom rock'n'roll e de um blues como poucos no Brasil sabem fazer:

"Amalfi e eu montamos essa banda em 2.003, no Teatro Cemitério de Automóveis (que a gente tinha lá na Rua Conselheiro Ramalho). Quando acabavam as peças, o Amalfi pegava uma guitarra, eu pegava outra e a gente ficava tocando lá embaixo. Um dia fui na casa dele com algumas letras e a gente fez de cara seis músicas. A primeira foi "Janelas". O primeiro show da banda foi no Teatro mesmo, no lançamento do meu livro "Bagana na Chuva". Cinco anos depois estamos conseguindo finalmente lançar o CD. Não foi fácil e queria dedicar esse lançamento pro Napetinha (Noa Stroeter - o baixista da banda) que tá na Holanda agora, mas que com certeza gostaria muito de estar amanhã com a gente lá no Sesc Vila Mariana. O carinha que tá substituindo o Noa (o Caçarola) é muito bom também e tá tudo certo, mas seria du caralho ter o Napetinha tocando amanhã com a gente. É muito difícil reunir essa banda porque a rapaziada toca em uma porrada de lugares. São todos ótimos músicos tipo aqueles caras que estudam música desde moleques (aliás os quatro fizeram faculdade de música e eram da mesma turma). Mas amanhã a gente vai estar lá lançando o nosso CD. O Fábio Brum deve participar tocando guitarra em algumas músicas e talvez o Paulão apareça pra cantar "Coçando o saco e ouvindo blues". Enfim, vai ser du caralho".

Tempo Instável é :

Mário Bortolotto (vocal)

Marcello Amalfi (guitarra e trompete)

Fernando Miranda (piano e teclados)

Caçarola (baixo) Conrado Maia (bateria)

_____________________


Terça-feira (dia 13 de Janeiro)

Lançamento do CD "Tempo Instável" Sesc Vila Mariana - Auditório Rua Pelotas, 141

R$ 12,00 - Inteira R$ 6,00 - estudante, usuário matriculado no SESC e dependentes R$ 3,00 - trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes

Às 20h30 O CD morre em R$ 10,00

As fotos são de Luiz Filipe Ogro



Escrito por Erly Welton às 16h58
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