
Escrito por Erly Welton às 20h23
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Palavras Mágicas
(segundo Nalungiaq/Esquimó)

Em tempos ancestrais
quando pessoas & animais viviam na terra,
uma pessoa podia virar um animal se quisesse
e um animal podia virar um ser humano.
Às vezes eram pessoas
e às vezes animais
e não havia diferença.
Todos falavam a mesma língua.
Naquele tempo as palavras eram mágicas.
A mente humana tinha poderes misteriosos.
Uma palavra dita ao acaso
podia ter conseqüências estranhas.
De repente ela ganhava vida
e o que as pessoas queriam que acontecesse, acontecia.
Só o que era preciso era dizer.
Como explicar isso?
As coisas eram assim.
(De "Shaking the Pumpkin", antologia de Jerome Rothenberg
Tradução: Rodrigo Garcia Lopes
Fonte: In Knud Rasmussen, The Netsilik Eskimos, Report of the 5th Thule Expedition, Copenhagen, 1931.
Nota: “A xamateca Nalungiaq definia-se como “uma mulher comum”, tendo aprendido o poder das “palavras mágicas” (= poesia) com um tio, também xamã. O comum era não usar a fala ordinária e sim a linguagem dos xamãs, em que todas as coisas & seres eram chamados por nomes diferentes do que eram conhecidos. A consciência esquimó é notável por sua compreensão do processo poético básico”. (Rothenberg, SP, 405)
Texto extraído do blog 'Estúdio Realidade' (link aí do lado) do poeta Rodrigo Garcia Lopes.
Escrito por Erly Welton às 01h43
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