Última súplica
não, Velha Dor de Ontem e de Hoje, não venha desenhar
rugas de pânico na minha fronte
nem a inviabilidade perene de um seguir adiante
com seu vaticínio borbulhoso e ofegante
poupe-me dos brilhos lacrimosos da impotência
de ser um homem-ruína neste instante
e me deixe carregar a pedra da montanha na mochila do sossego
me deixe labutar tranquilamente
no abismo aziago deste universo de dementes
me deixe suar meus líquidos de sal na honestidade da semente
e vá para bem longe da minha miserável perenidade
e da minha mediocridade latente
imploro: me deixe a sós com minha alteridade doente
minha poesia dormente
e a imponência do meu non cense
Escrito por Erly Welton às 18h20
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Escrito por Erly Welton às 16h26
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Vate
essa língua minha
linha que sempre esqueço
é a única que desconheço
essa minha língua estranha
só fala mesmo o que minto
pois quando meu verbo assanha
não consegue dizer o que sinto
não é viva a minha língua
nem morta ou moribunda
ela volta sempre que digo siga
arreia as calças e mostra a funda
teimosa em confundir a rima
essa minha língua vagabunda
de impronunciáveis dialetos
áreas amplas, vales profundos
signo-língua minha
de consoantes no papel
são vogais de muitas tribos
onde a palavra ainda morreu
ruas violentas, arquivos secretos
se insiste e exige a verdade
o resultado é sempre sangrento
ou vate
Vate
substantivo de dois gêneros 1 indivíduo que faz vaticínio, predição; profeta, vidente 2 aquele que cria ou escreve poesia; poeta Etimologia lat. vátes ou vátis,is 'adivinho, oráculo; agoureiro; profeta, vidente; poeta, vate; mestre (em uma arte)'; ver vat(i)-
Escrito por Erly Welton às 16h13
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