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Soltos de imensidão

Carlos Nejar

Os anos, Elza, já não gravam nada,
 porque gravamos nós o tempo todo.
 O teu cuidar, faz-me animar o fogo
 e cada dia em nós, jamais se apaga.

 Provados somos e o provar é um gomo
 desta romã partida pelas águas.
 Somos o fruto, somos a dentada
 e a madureza de ir no mesmo sonho.

 Os anos, Elza, não consertam mágoas,
 mas as mágoas não correm, se corremos.
 Não encanece a luz, onde são remos

 da limpa madrugada, os nossos corpos.
 Amamos. No existir estamos soltos,
 soltos de imensidão entre as palavras.
 

Aos senhores da ocasião e da guerra

Carlos Nejar

   A vós, que me despejastes
 nesta loucura sem telhas
 e neste chão de desastres,
 acaso devo ajoelhar-me
 e bendizer as cadeias ?

 E ser aquele que acata
 as ordens e ser aquele,
 apaziguado e cordado,
 preso às aranhas e às teias.

 Levando o sim em uma das mãos
 e o não noutra, rastejante
 aos senhores da ocasião
 e da guerra. Ser no chão,
 o inseto e sua caverna ?

 Corrente serei
 no recuo das águas.
 Resina aos  frutos do exílio.
 Espúrio entre as bodas.
 Resíduo.

 Até poder elevar-me
 com a força de outras asas,
 para os meus próprios lugares.

 A vós, que me despejastes
 nesta loucura sem telhas
 e neste chão de desastres,
 com a resistência das penas,
 aceitarei o combate. 

http://www.nejar.cjb.net/



Escrito por Erly Welton às 16h21
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