O poeta Jairo Pereira e eu estamos marcando para o próximo mês um manifesto poético em Curitiba. Deverá ser em algum bar no centro da cidade e talvez em mais algum espaço público, com leituras, música e entornadas etílicas. Convido todos os "amigos" e "inimigos" para a noitada dos "sem editora" e garanto: a qualidade é das coisas que são universais, muito além da pessoalidade desses tempos mercadológicos.
Ademir Assunção, um dos melhores poetas que conheço, fechou sua ESPELUNCA (BLOG http://zonabranca.blog.uol.com.br/) e avisa que talvez não volte. É uma grande pena, porque me instigava sempre a me renovar e não permitir que a mediocridade scholar invadisse minha poesia. Tomei a liberdade de tungar de lá o poema:
Sei olhar sua aura e ver a cor rubra da sua defesa defronte os cacos de espelhos
e agora mesmo eu vi você derramando o amargo fel sobre meus lábios porque eles só querem o doce do mel dos seus
e entendi entre linhas escritas com o garment de aço colado eternamente em sua pele que não há o que a faça despir-se
Por isso eu entendo
Mas a dor que isso me causa espreme e faz escoar inutilmente as possibilidades do gozo que virá
Aceito ir adiante
mas entendi que você nunca irá ultrapassar a moita de espinhos que se apresenta ali na frente (sinto que a minha mão nunca lhe dará a segurança de enfrentar a verdadeira fera que nos espreita)
porque você pede a vida - e quer dela somente o riso -
Mal sabe que o amor só pode ser destruído pelo medo.